Arquivo para setembro \08\UTC 2010

Brincando de casinha

Querido Diário:

Alguns dias são ingratos. Eu sou uma pessoa que precisa evoluir, especialmente no que ser refere à ter paciência. Esqueça, eu não fui agraciada com essa virtude ao nascer. E meu Paizinho, em sua infinita bondade, visando me tornar alguém menos pior melhor colocou em minha vida íntima, pessoas procrastinadoras e inertes demais. Ou apenas sossegadas. Sendo mais legal, pessoas “relax”.

O fato é que eu me empolgo, estresso fácil, sou ansiosa e gosto de ver as coisas acontecerem ao meu redor. E depender do outro para algo acontecer pode ser algo muito desgastante para esta pobre pessoa que vos escreve. Tudo isso faz parte da minha realidade atual: quero um emprego, quero continuar estudando, prova no domingo, estou na iminência de um noivado e tenho um namorado procrastinador que quer casar-mas-não-quer-casa-decente. Estou em um  apartamento provisório e de pernas para o ar, impessoal e que não me faz sentir que tenho um lar para chamar de meu.

Lar… sem mais comentários pois estou com uma p. saudade da minha mãe, do Juca (meu gato siamês) e da arrumação materna da minha casa em Vitória.

E para piorar ele (o namorado procrastinador) deixou passar 3 semanas e nada de pintar o cafofo apartamento para torná-lo mais simpático e habitável. Sempre adiando. Nada de colocar aqueles instrumentos sem utilidade à venda. Nada de encaixotar nada. Nada de procurar caixas de papelão para deixar espaço livre. Nada de lixar a parede que está para ser lixada há 15 dias. Nem tintas nem pincéis. Nada.

Eu mal comecei a brincar de casinha e já estou desanimada. Vontade de chorar,  terminar a brincadeira, ir para minha casa de verdade e pedir colo da minha mãe.

Tchau diário,

amanhã tem mais.

Dos supostos “doutores” e afins.

Olha, acho que ao longo de toda a história do meu blog pessoal, falar mal das pessoas nunca foi um tema que me despertou interesse. Não que eu seja santa e nunca tenha feito algo semelhante na vida (hipócritas de plantão que me perdoem, mas vocês não enganam a ninguém com essa pose de imparcialidade com relação aos outros), mas é que eu nunca achei legal fazer isso aqui. Tem tanta coisa mais interessante e legal para escrever né? Ainda que sejam só meus draminhas pessoais, hehe. 😀

Mas, tem coisas que me irritam em algumas pessoas (e não me venham com aquela conversinha mole de que “no fundo é inveja, sua mal-amada…” pois eu sou muito bem amada meus caros, graças e amém!). Assim como certas coisas em mim devem irritar muita gente por aí. Faz parte da convivência em sociedade. Impossível é agradar a gregos e troianos (como sou clichê…). Tudo bem, pouco importa agora.

O que importa mesmo caros amigos, é ser humilde, pois de vez em quando faz bem a saúde e a imagem pessoal. Ai como enche o saco ver a área de saúde (sim, eu também faço parte da massa) se “endeusando” por aí. Você tem doutorado? Não? Então por quê diacho você se intitula de doutor? É mestre em alguma coisa? Também não… Especialista? Não.. Então você é um bacharel. Ok? Use o seu título de bacharel, daquela profissão “x” e seja feliz, até alcançar patamares mais elevados, para aí sim se autointitular (escrevi certo? a palavra existe?) de doutor, mestre, especialista, enfim. É importante ter conteúdo (não signfica que você vai saber tudo também) antes de pregar algo que você ainda não amadureceu o suficiente para ser.

Infelizmente, pela nossa própria cultura, basta vestir branco, um jaleco ou conhecer as leis (leia-se advogados), que grande parte das pessoas acabam por proclamar o título de “doutor” ao indivíduo quase que automaticamente. Herança cultural, fazer o quê? Já aconteceu comigo durante consultas e sou compreensiva, por vezes é uma forma carinhosa do paciente demonstrar gratidão, respeito e uma certa admiração por você cursar uma faculdade e tal, considerando que muitos mal são alfabetizados nesse nosso Brasil-sil.

Mas não têm como fugir, o dicionário, sábio, sempre nos diz: doutor – sm (lat doctore) 1 Aquele que recebeu supremo grau em uma faculdade universitária.

Que tal tornar-se um profissional mais modesto e honesto? Não vai diminuir em nada o real valor de cada um. E citando um doutor de verdade, em um post mais antigo:

“Senhores.

Doutor é apenas quem faz doutorado. E isso vale também para médicos, dentistas, etc, etc. A tradição faz com que nos chamemos de doutores. Mas isso não torna doutor nenhum médico, dentista, veterinário e, mui especialmente, advogados. Falo com sossego.

Afinal, após o meu mestrado, fui aprovado mais de quatro vezes em concursos no Brasil e na Europa e defendi minha tese de Doutorado em Direito Internacional e Integração Econômica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Aliás, disse eu: tese de Doutorado!.Esse nome não se aplica aos trabalhos de graduação, de especialização e de mestrado. E nenhuma peça judicial pode ser chamada de tese, com decência e honestidade.

Escrevi mais de 300 artigos, pareceres (não simples cotas), ensaios e livros. Uma verificação no site eletrônico do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) pode compravar o que digo. Tudo devidamente publicado no Brasil, na Dinamarca, na Alemanha, na Itália, na França, Suécia, México. Não chamo nenhum destes trabalhos de tese, a não ser minha sofrida tese de Doutorado. (…)

(…) Os profissionais, sejam quais forem, têm de ser respeitados pelo que fazem de bom e não arrogar para si tratamento ao qual não façam jus. Isso vale para todos. Mas para os profissionais do Direito é mais séria a recomendação.

Afinal, cumprir a lei e concretizar o Direito é nossa função. Respeitemos a lei e o Direito, portanto; estudemos e, aí assim, exijamos o tratamento que conquistarmos. Mas só então.”

Ficou mais claro assim?

Quem quiser ler o post da citação acima na íntegra, o link:

por Marco Antônio Ribeiro Tura


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