Casamentos I

17_04_2008_guia_do_casamento

Ontem fui a mais um casamento com a missão de ajudar a fotografar este momento tão especial para as pessoas. Eu já fui em vários casamentos desde que iniciei como ajudante, sabe? Isso já tem 4 anos e ainda me lembro de várias cerimônias que presenciei.

A igreja de ontem era particularmente simples. Gente simples. Altar enfeitado com simplicidade. Era uma igreja evangélica que eu não conhecia e acredito ser uma destas diversas congregações que têm pipocado neste Brasil a fora. Bem, eu sou católica praticante, para quem não sabe, mas guardo meu credo em particular nessas ocasiões e faço questão de respeitar todas as honras do local.

A noiva era simplesmente linda. Tudo bem, toda noiva é linda não é? Mas, neste caso, a menina em questão já era linda e o vestido branco só resplandecia aquilo que nela,  já era natural. O noivo,  jovem e ansioso. Os dois formavam um casal jovem e bonito. Digo isso, porque já vi vários casais antes e a única coisa que despertavam em mim, que os olhava de fora, era: casal-sem sal-nem açúcar.

Um pastor presidiu a cerimônia. Muito carismático e sem dúvida, com uma oratória eficiente. Prendeu minha atenção o tempo todo com suas palavras. Ele começou a pregação com uma pergunta que é quase um clichê: “Qual o segredo de um casamento feliz?” Então, citou o seguinte versículo:

“O que vocês desejam que os outros lhe façam, também vocês devem fazer a eles.”

Lucas 6, 31.

E a partir desta frase, baseou toda sua pregação. Confesso que, me tocou sabe? Ele citou algo que uma amiga minha sempre diz: hoje vivemos a sociedade do descartável. Aquilo que não me faz feliz, que acho que não me serve, simplesmente jogo fora. E fazemos o mesmo com nossas relações. Ele afirmou também, que, o segredo de um casamento feliz, é casar-se disposto a fazer o outro feliz e não casar para que  o “eu” encontre a felicidade. Os dois devem estar dispostos a se fazerem felizes, com uma resposabilidade mútua, e não por um desejo egoísta. O “eu” deve dar espaço ao “outro”. É uma doação.

E uma verdade tão clara como essa é uma ofensa a nossa sociedade moderna, não é mesmo? Em um mundo em que o “eu” reina tão solenemente, uma fala dessas é quase uma heresia. Onde já se viu pregarem um absurdo desses?

Achei as palavras daquele pastor, muito verdadeiras ao afirmar que, se queremos amor e carinho, devemos dar isso ao outro também. Se queremos compreensão e apoio, devemos ser compreensivos e dar suporte ao outro antes. Se queremos atenção e alguém que nos ouça, devemos saber parar, ouvir e valorizar a atenção dada ao outro. Resumindo tudo isso, temos o versículo citado no início da pregação.

Depois do casamento, fiquei em casa matutando, pensando aqui com meus botões… Percebi que a prática do amor verdadeiro não é fácil, sabe? Jesus mesmo não foi poupado da morte da cruz, porque ele vivenciou a prática do amor em toda sua plenitude, com todas as consequências. Diversas pessoas não entendem exatamente o significado de “morrer na cruz para salvar uma humanidade ingrata e pecadora“. É algo complexo? Bem, se olharmos sob o ponto de vista do amor, não, não é. Ele fez isso, porque nos amou primeiro.  Que mãe ou pai, não daria sua vida por seu filho?

Não quero dizer com isso, que nós devemos morrer literalmente para praticar o amor. Mas, de certa forma, temos que morrer todos os dias para o nosso egoísmo, para nossa intolerância, impaciência, para nossa imperfeição. E nessa história de constante aprendizagem e amadurecimento, nós passamos por altos e baixos. Tem um outro trecho em algum lugar da bíblia onde Jesus afirmou que o caminho para segui-lo não era fácil. E não prometeu que não haveriam dificuldades, muito pelo contrário. Mas é o único e verdadeiro caminho para uma vida em plenitude. Eu bem sei como apanho para aprender nessa minha caminhada.

Acho que o mais novo casalzinho entendeu o recado. Pelo menos estou torcendo para que tenham absorvido. A noiva saiu da igreja em lágrimas, era nítido o quanto estava emocionada. Isso rendeu boas fotos para nós (afinal noiva chorando em fotos é o que há para um fotógrafo, hehe).  Um álbum certamente lindo para os noivos. E uma mensagem abençoada para mim.

P.S1: a propósito, não peguei o buquê. Isso significa que aquela minha superstição de buquês ainda permanece firme e forte.

P.S2: mas que droga, aquelas rosas vermelhas eram tão lindas! Eu queria tanto!  Mas estava a trabalho…#prontofalei

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3 Responses to “Casamentos I”


  1. 1 Jana março 9, 2009 às 2:32 pm

    Não sabia dessa outra parte Dessa..rs..
    Mas, uma sabia e mais do que verdadeira msg…amar, para ser amado, é doando que se recebe. E isso é uma plataforma para um casamento. Respeitar para ser respeitado, e saber o que realmente quer! Com a realidade de hoje é um casa e separa que não acaba mais… porque esquecem do principal o amor, o entendimento, e o grande desafio que é o “CASAR”….
    Vou parar por aqui tá..rs.. senão iria muito ainda…

  2. 2 Andressa março 9, 2009 às 11:21 pm

    ehauahaua, não pára não! 😉

  3. 3 Eduardo Macan março 16, 2009 às 1:52 am

    Ahá! Querendo o buquê, heim????


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