100 escovadas antes de ir para cama

Bem, Melissa Panarello e Bruna Surfistinha não fazem muito meu gênero no que se refere a literatura. Coloque uma Clarice Lispector no meio e as duas levam um surra, no que se refere ao fazer literatura de verdade. Ao menos em minha humilde opinião. É totalmente inútil tentar me convencer que são maneiras de escrever e temáticas totalmente diversas, sendo injusta a comparação. Eu penso desse jeito e ponto. Simples assim. Qualquer tentativa de mudar minha perspectiva nesse aspecto é gastar o verbo alheio à toa.

Mas enfim, sempre dizem que você nunca deve dizer “nunca lerei um livro daquele tipo” e etc etc etc. Eu dizia isso mesmo: “eu nunca vou ler tal obra”. Todavia, todos nós temos nossos paradoxos em particular. E por isso, eu acabei cedendo (traidora de si mesma! rsrsrs) e li o tal livro da  Melissa P. quando o encontrei na biblioteca municipal. Afinal, não é bom ser tão radical assim, ao menos não na literatura.

Li em um dia. No caminho de ida e volta da faculdade. A leitura é fácil, simples, direta ao ponto. Houve um momento, confesso, em que a vontade de fechar o livro e não ler mais foi grande. Não porque estivesse chocada em si, mas levemente enjoada. Ou enojada. O trocadilho é válido aqui.

Não tenho pretensões de parecer puritana e moralista em meu discurso. Não mesmo. Não faz parte da minha natureza. Porém, ouso em fazer uma breve comparação acerca das impressões que a personagem e a história deixaram em minha mente.

Imagine um poço de lama. Visualizou? Agora pense em alguém entrando dentro dele e se afundando praticamente até o pescoço. Esse alguém entrou ali por vontade própria. Ninguém o obrigou a nada, ninguém o empurrou. Foi porque, em toda sua infantilidade, imaturidade e falta de jeito para entender a si mesmo e as mudanças pelas quais estava passando naquele momento, pensava que iria encontrar o que estava procurando. E olha que as mudanças em si, eram naturais e pertinentes a qualquer outro indivíduo.  Um alguém com lama até o pescoço. E que parece até gostar disso, porque satisfaz seus caprichos em maior ou menor grau. Mais nada.

Na sinceridade? Terminei o livro sem nenhum entusiasmo. E lamento muito pelo tamanho sucesso. Mas eu não deveria me lamentar não é mesmo? Afinal, o que faz sucesso hoje em dia em geral se resume em escândalo, degradação e falta de princípios. Não me surpreende o sucesso da “obra”. As respectivas autoras citadas no início do texto publicam seus livros, causam polêmica, fazem sucesso, e concedem entrevistas achando que são verdadeiras sexólogas e profundas conhecedoras do assunto, bem como da alma humana. Sendo que provavelmente fizeram o ensino médio mal e porcamente. Mas para isso sempre existe alguém que revise a ortografia e faça os ajustes necessários antes da publicação, não é mesmo?

Se tudo o que está escrito é verdade, não sei. Pode ser. Ou não. Mas o fato é: não acrescenta muito. Só reforça a teoria do quanto o mundo pode ser um aterro sanitário e do quanto as pessoas podem ser estranhamente podres por dentro.

P.S: Só para constar, uma crítica da adapatação do livro ao filme. Adorei : Críticos.com

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5 Responses to “100 escovadas antes de ir para cama”


  1. 1 Eduardo Macan agosto 23, 2008 às 1:19 pm

    O mito do eterno retorno…

    ..na prática.

  2. 2 Andressa agosto 23, 2008 às 3:26 pm

    Perdoa a ignorância mas…como?

    rsrsrs

  3. 3 Eduardo Macan agosto 23, 2008 às 5:05 pm

    Bom… o tempo passa, passa, e sempre se repete.

    Em resumo é isso. A Cristiane F agora é Melissa P e daqui 20 anos vai ser alguma outra.

  4. 4 Andressa agosto 23, 2008 às 11:30 pm

    hummmm… então era aquilo mesmo que eu estava pensando…hihihih =D

  5. 5 Janaína Calaça agosto 23, 2008 às 11:57 pm

    Oi, xuxu!

    Eu tive a oportunidade de ler ambos os livros, tanto o da Surfistinha quanto o de Melissa. A sensação que tive ao fim de cada um foi diferente. O de Surfistinha me provoucou riso, confesso, pela carruagem de bobagens e o da Melissa me causou esta sensação de vazio, que causou em você, mas justamente por saber que esta realidade é comum. Meninas acabam embarcando numa busca desenfreada por algum sentido, inserção, aceitação, e quando dão por si já estão atoladas até o pescoço. O livro da Surfistinha é uma verdadeira apoteose à prostituição, à estupidez, mas não que eu esteja defendendo o Cem escovadas, ainda há algo de infantil no tom da narrativa. O leitor consegue enxergar que é uma menina ainda falando, perdidaça sim, mas ainda uma menina, como muitas, tentando encontrar alguma direção em um mundo que aponta múltiplos caminhos, sendo em maioria caminhos tortos.
    Mas concordo com vc, Dessa… Prefiro Clarice, prefiro Lygia, prefiro outras coisas… Mas estou também tentando entender o mundo que vivo através da literatura que está sendo produzida nele. A literatura traz muito do contexto em que nasce… Um olhar diferente é o que nos faz fazer escolhas e entender de fora o que está acontecendo de maneira mais crítica.
    Beijooooooooooo, xuxuuuuuuuuuuu!

    Jana.


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