Feriado

Só publiquei esse post, porque desejei muito comungar isto com vocês. Acredito que vale a pena, mesmo que possa correr o risco de ser mal-interpretada e até mesmo criticada. Mas, ainda assim, assumo a responsabilidade por este ato. Não queria que a Páscoa fosse apenas mais um feriado prolongado no calendário. Rs. Eu não sei ser indiferente, entretanto, sei ser ponderada. Por esta razão, sugiro que aproveitem o que considerarem de melhor. E… Feliz Páscoa! 😉

A Páscoa remonta a tempos anteriores ao nascimento de Cristo. É uma festa, sobretudo de origem e tradição judaica. É por meio dela que celebra-se a libertação do povo hebreu da escravidão do Egito, liderados por Moisés. É antes de tudo, a comemoração da libertação de um povo, conforme descrito no livro do  Êxodos, na Bíblia. Uma noite anterior a libertação, os hebreus sacrificaram e assaram um cordeiro conforme as instruções dadas por Deus. Com o sangue deste mesmo cordeiro, marcaram os umbrais das portas de suas casas. Este seria o sinal: onde ele estivesse presente, a praga enviada aos egípcios, como castigo, não poderia entrar. O pão ázimo, sem fermento, preparado rapidamente para a fuga. As ervas amargas consumidas remetem as dificuldades enfrentadas. Todos estes são os símbolos que ainda hoje estão presentes na Páscoa judaica.

Jesus comemorou a Páscoa, como todo e qualquer judeu. Entretanto, inovou, transformou, ao comemorar sua última Páscoa com seus discípulos. Não houve um cordeiro sacrificado. Ele era o novo cordeiro dado em sacrifício, simbolizado naquele instante pelo pão. Seu sangue, o vinho. Institui-se aí, a comunhão. Comungar é partilhar. É para todos. O sacrifício era para todos.

O interessante é observar um instante que antecede o início da ceia: Jesus lava os pés de cada um dos discípulos. O mestre ajoelha-se, humildemente, para servir ao seu discípulo. Nesse momento, deu ênfase ao seu maior mandamento: “amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei.” Como? Sendo humilde e colocando-se a serviço do outro.  “Quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servo de vocês, e quem de vocês quiser ser o primeiro,deverá tornar-se o servo de todos”. De acordo com a fé cristã católica, estes episódios são relembrados na quinta-feira santa.

Na sexta-feira da Paixão, tudo é dor. O cordeiro foi sacrificado. A ressurreição, a renovação se dá apenas quando se morre. A salvação, com uma vida plena só e possível se algo morrer. Libertando-se. Renovando-se. Ressurgindo. A morte, antes de tudo, representa essa passagem, essa transição. Permeada de dor, sofrimento, rejeição, vergonha,solidão, medo.  Sentimentos tão humanos e vivenciados por Jesus, eternizados na cruz. Todos os dias experimentamos algum sacrifício. Morremos para alguma coisa, caso contrário jamais avançamos. E nesse eterno morrer e ressuscitar,experimentamos toda a dor, nos confrontamos com nossos medos. Sofremos com todo tipo de rejeição que possamos sentir. A solidão nos assola. Somos traídos com um beijo. Sentimos vergonha. Nosso coração…chagado.  Sangrando.

A cada novo dia, morremos por algo, como se dessa forma nos ofertássemos em sacrifício. Há quem morra todos para si mesmo, em sacrifício a outro alguém. Entretanto, se este sacrifício nos aprisiona ao invés de nos libertar, que valor possui?

Precisamos morrer sim, para nosso orgulho. Morrer para nossa descrença e falta de fé. Morrer para nossa falta de amor. Morrer para nosso egoísmo. Morrer para nossos medos e receios. Morrer para as mágoas que tanto nos machucam. Morrer para nossos próprios preconceitos. Morrer para nossa hipocrisia. Morrer para nosso desânimo, falta de esperança.

No sábado, a luz está voltando. O círio é aceso. A madrugada vem. Domingo de Páscoa. O sepulcro… vazio. “Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou.” Ressuscitou para que pudéssemos viver uma vida plena, na presença de Deus. Viver longe desta presença, nisso consiste o verdadeiro Inferno.

Jesus ressurgiu, libertou-se da morte porque a venceu. Ele traz as chagas em seus pulsos, em seus pés. Entretanto, elas já não sangram mais, são apenas marcas. Morremos para que possamos nos libertar, para que possamos ressurgir, nos reerguer. Somente dessa forma nos tornamos melhores. E evoluímos em nossa caminhada, trazendo apenas as marcas de feridas já cicatrizadas. Tudo isso para que possamos viver uma vida plena. “Eu vim para que tenham vida, vida em abundância”.

Eis o motivo para que a Páscoa seja, na realidade, a data mais importante do calendário cristão, e não o Natal, como pensa a grande maioria. Ela ainda é comemorada durante 50 dias, no chamado Tempo Pascal.

Porém, independente de ser uma festa essencialmente cristã, acho que seu significado está aí para todos. Ao alcance de todos. Qualquer reflexão feita acerca disso já é válida. Se provocar ainda que uma pequena mudança de atitude e a renovação de uma vida, se faz verdadeira, real em toda sua dimensão. Eis aí a beleza de uma comunhão verdadeira.

Se precisa morrer para algo dentro de si, para que então possa se libertar e alcançar a plenitude, faça-o. Aproveite este momento, em que todas as orações estão sendo direcionadas para isso. Toda a energia, todos o corações se voltam para esse objetivo. Não tenha medo da morte, pois é ela quem o impulsiona para vida. Você precisa caminhar, avançar. Todos nós precisamos. Para tanto, necessitamos nos renovar constantemente. E o mais belo nisso, é que não estamos sozinhos nesse processo se tentarmos comungar uns com os outros. Quando partilhamos isso com alguém. Mais belo ainda, caso necessitemos de conforto, é podermos nos lembrar da presença, do exemplo de Jesus, nos dando forças e coragem para essa passagem.

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5 Responses to “Feriado”


  1. 1 Paulo abril 6, 2007 às 3:44 am

    Olá Editora, gostei e sua matéria e do seu site, está de parábens!Gostária de convida-la para conhecer o meu blog: http://www.revistadoprotestante.blogspot.com, estou esperando a sua vísita!
    Abraço

  2. 3 Jana abril 8, 2007 às 11:50 pm

    Oie!!! É isso aí! Varias histórias levam a essa data, mas, o importante seria uma comemoração de vitória, de o caminho da paz…E por onde anda a mesma né…!!! Enfim, comemoremos nós, nossas “mortes” e “nascimentos” em conquistas e desafios! 😉

  3. 4 Eduardo Maçan abril 9, 2007 às 12:53 pm

    Lindo texto, pra variar 😉

    Aceita um feliz páscoa atrasado de quem ficou sem créditos graças ao preço do roaming? =]

  4. 5 Andressa abril 9, 2007 às 11:24 pm

    aceito. Está perdoado…rs


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