Arquivo para março \29\UTC 2007

Identidade

Tem gente que se acha expert em matéria de sensualidade e em ser atraente. Ok. Até aí, vamos lá, cada qual com suas ilusões e pontos de vista. Não questiono. Mas o problema é quando o ponto de vista alheio começa a entrar naquele maldito achismo prejudicial a sua visão de mundo e sua vida. Trocando em miúdos, quando o indivíduo inicia todo aquele discurso cheio de bla-bla-blá como crítica ao seu jeito de ser. Ao seu jeito de agir e a maneira como você se comporta, se veste.

Nada de críticas construtivas. Não seja inocente, elas não existem. Ou as pessoas não sabem como fazê-las. Em geral, são aquelas palavras que te deixam extremamente incomodado, irritado, com a pulga atrás da orelha… E vez ou outra, um pouco chateado.

Nada mais desagradável do que ser confrontado por este tipo gente. Ter de ouvir alguém te dizer toda vez que o encontra as seguintes frases: “você devia ser mais ousado”, você devia ser mais assim, mais assado… Torra a paciência. Mas o cúmulo foi ouvir de um ser (que para meu parâmetros de classificação figura entre o grupo dos “assexuados”),junto as críticas, que dava tudo para me ver num modelito mais ousado. Não foi o que ele disse. Foi como ele disse. A ironia e o tom de crítica na voz dele foi algo irritante. E petulante também. Me reservei ao direito de não responder e ignorá-lo completamente, ainda que tivesse ficado extremamente irritada.

Aí eu fiquei a pensar a qual modelito mais ousado ele se referia…se era aos que ele costuma ver na novela das 8 etc e tal, baseado é claro, no tipo de coisa útil que ele costuma assistir. Quer dizer então, não usar saias micro, decotes beirando o útero ou coisa parecida é sinônimo de não ser atraente?

Há…há…há. Tolinho…Forneceu um dos maiores atestados de ignorância. Não sabe absolutamente nada.

 Na hora em que ouvia as críticas idiotas eu fiquei meio assim, incomodada e chateada. Mas depois fiquei me questionando e me culpei por ter dado importância as asneiras que ouvi. Simplesmente porque não tenho motivos para me diminuir. Na maioria da vezes,  estou satisfeita comigo mesma. Existem as variações na escala para mais ou para menos, lógico. Depende das taxas do meu coquetel hormonal, que são instáveis (sabe como é, ehehe…), mas isso não vem ao caso. A questão é: tudo depende de como eu estou me sentindo.

Agora vem um fulaninho querer me ensinar a me encaixar nos padrões? Padrões de quem? Hauhauhau…dele? Um colega- assexuado- da –onça .Por favor.

Não adianta.  Ao meu ver, ser atraente é o oposto de ser vulgar. São coisas que se excluem. Jamais se fundem. Sinceramente, eu não preciso seguir todos os modismos. Muito menos acatar opiniões que vão de encontro com aquilo que eu sou. Com a minha essência. Não dá. É minha identidade que está em jogo. E mais, não tenho paciência, saco e muito menos biotipo para bancar a pose de mulherão (como toda a ênfase no ãoooo que você possa imaginar), de mulher fatal. Para ser atraente é desnecessário expor meu corpo como um pedaço de carne no açougue.

Ficar fazendo aquela pose toda soa até como piada para mim. Você pode tentar fazer o possível e impossível para querer me transformar. Mudar meu estilo de me vestir. Querer mudar n coisas. Fazer revolução.  No entanto, o meu sorriso vai ser o mesmo, sempre. Minha maneira do olhar para você não vai se alterar. Minha feição vai ser a mesma. Meus pontos de vista, minhas idéias, minha conversa e o fato de eu gostar de usar minha massa encefálica intensamente não vão mudar. Não é pretensão. Sou eu e minha individualidade. Cada qual com a sua.

Não há necessidade de auto-afirmação para ninguém. Oras, eu só quero ser atraente para quem realmente me interessa em ser atraente!  De acordo com minhas particularidades. E se precisar de ousadia que seja ao lado da intimidade e cumplicidade. Hauahuahua, é isso que me interessa! Pouco me importa o resto, até porque o próprio nome diz, é resto.

Depois dessa, dispenso gente que vem com aquela conversinha fiada  de que parecem deter todo o conhecimento e sabedoria existente.  O sábio. O certo.  Fazendo regras.  Querendo ditar comportamentos . Inclua aí gostos e padrões. Olha, muito obrigada, mas não me interessa.

Agora, não deixa de ser curioso, que apesar de tantas críticas ao meu modo de ser, ele ainda sim tenha despertado tanta curiosidade e interesse.

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Oiee

Bom é sair daquela prova enjoada de Bioestatística e me deparar com aquele sms que me faz abrir aquele sorriso de orelha a orelha no meio do corredor… Ou aquela chamada perdida, que na verdade é um lembrete de um toque, apenas. (Ou lembrete da b…rsrsrs.)

O mais legal disso tudo é se tornar tão presente com coisas tão…simples. E fazer toda a diferença sem se dar conta.Por isso e mais um pouco, e pelo meu sorriso…

Boa sorte!

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 E… arrebenta! 😉

Beijo ^^

P.s: isso devia ter sido publicado antes. Problemas técnicos…sorry. O que não significa que o desejo não foi válido. 🙂

Universo feminino, prazer em conhecer

Conversinhas fiadas dentro do carro, numa noite de quarta-feira…

Risadas. Levantar de sombracelhas. Surpresa. Gestos. Mãos que falam. Palavras. Histórias. Babados…Crochês e afins. Bochechas. Rubras. Filosofia do desejo. Casos. O caso. Suspiros. Saudades. Divagações.  Sonhos. Piada. Suor. Trabalho. Futuro. Planos. Amor. Vida. Besteiras. Besteirinhas. Risadas. Risadinhas.Ironias. Dramas. Comédias da vida privada. Delírios. Rotina. Insanos. Mais risadas. E de repente, algo típico: ”Você heim! Danada…” “Eeeuu? Que nada!”

Resumo do reencontro entre amigas de longa data. Pedacinho de universo feminino para vocês.

P.S: Para Ana, o único elo restante dos tempos do 1° grau. Amiga e conterrânea (saudades da terrinha compartilhadas! rsrs). Obrigada pela amizade duradoura. Se cuida mulher, e fica com Deus. 😉

Tudo bem…

Fico frustrada quando percebo que falhei.  Comigo mesma. Com os outros.  Mais frustrada ainda quando percebo o quanto sou limitada e… o quanto a fragilidade pode se tornar algo tão explícito quando tudo o que eu mais desejo, é poder abafá-la.  Guardá-la  no fundo do baú. Deixar lá, em um canto escuro. No quarto de bagunça junto às coisas velhas. Esquecida. Longe da vista de todos. Escondendo meus receios. Mascarando minha tristeza. Na tentativa inútil de ter a força em minhas mãos novamente.

Fico frustrada quando aquelas lágrimas contidas a tanto custo insistem em rolar. Lavando tudo. Trazendo angústia.  Frustrada quando já não me julgo assim, tão otimista ao me levantar pela manhã.

Talvez isso tudo seja apenas um pouco de cansaço. Ansiedade. Medo de errar.  De perder… Talvez isso passe logo. Talvez amanhã eu abra um sorriso para o motorista mal-humorado do ônibus. Para quem me trata com indiferença. Enfim… Isso tudo talvez eu faça amanhã.

Mas hoje, só por hoje, por que simplesmente dizer que… Tudo está bem? Estou exausta demais para bancar a Poliana no jogo do contente. Ao menos hoje…

Poesia para o dia

Canção do amor imprevisto

Eu sou um homem fechado.

O mundo me tornou egoísta e mau.

E minha poesia é um vício triste,

 Desesperado e solitário

 Que eu faço tudo por abafar.

 Mas tu apareceste com tua boca fresca de madrugada,

 Com teu passo leve,

 Com esses teus cabelos…

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita…

 A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho (que sente) inútil

Aonde viessem pousar os passarinhos!

(Mário Quintana)

P.S: Apesar de ser muito mais prosa, do que poesia, rs, hoje abri um exceção. Dia Nacional da Poesia. Parabéns aos poetas, e aos que também se arriscam de vez em quando. 😉

Dos meus dias

Estou naquelas semanas em que você abre sua agenda (isso se você se dá ao trabalho de ter uma! :D) e arrepios percorrem sua espinha só de olhar a lista das coisas-a-fazer-em-menos-de-24-horas. Um sinônimo para elas? Infernais. Aliás, 24 horas tem sido pouco.

Estou gulosa, queria mais.

Lei do menor esforço

Dia desses, sem querer, ouvi uma conversa alheia:

“Rapaz, você emagreceu muito! Que andou fazendo?”“Ah, fui ao endocrinologista e tal (…). Ele me receitou um remédio para emagrecer. Perdi 10 kg em um mês! Eu comia 6 pães de manhã e agora só consigo comer 2, no máximo…”

Na hora em que ouvi senti como se tivesse levado um soco no estômago, literalmente. 

Inibidores de apetite. Será que as pessoas não fazem idéia do quanto isso é prejudicial ao organismo? Como é que alguém pode considerar a perda de 10 kg em um mês como algo perfeitamente normal? Impossível! Pelo amor de Deus…

Para quem não sabe, inibidores são anfetaminas, causam dependência e outros milhares de efeitos colaterais. Além disso, geralmente, após a interrupção do uso, todo o peso é recuperado tão rápido quanto foi perdido. Óbvio, seus hábitos ainda são os mesmos, e sem a droga para inibir sua fome… esquece, você vai engordar de novo.

Agora, apenas algumas informações que justificam tamanha preocupação: os inibidores derivados das anfetaminas (fenproporex, anfepramona e mazindol) atuam no sistema nervoso central, causando dependência química.  Seu uso também coloca o paciente sob risco de desenvolver hipertensão arterial, taquicardia, problemas hepáticos e renais, ansiedade e agitação. Para controlar esses últimos sintomas, os médicos costumam associar o medicamento a ansiolíticos, como por exemplo, o Diazepan, Lexotan.  Além de proibida, essa associação potencializa os efeitos colaterais das anfetaminas. O uso crônico da substância é outro problema, já que pode levar o paciente a desenvolver esquizofrenia paranóide, doença caracterizada por alucinações táteis, auditivas e visuais.

Só se receita inibidores à base de anfetamina para casos de obesidade em que a pessoa apresenta índice de massa corporal (IMC) acima de 30.  Cerca de 32% dos brasileiros estão com peso acima do normal mas apenas 5% deles tem atingem o índice de 30. Isso demonstra, que caso essa prescrição fosse levada a sério, o Brasil jamais ocuparia a honrosa posição de líder mundial em consumo desse tipo de droga.

O que mais me deixa irritada é a falta de responsabilidade dos médicos que receitam. E o pior: falta de informação.  Quando prescrevem, erram na dosagem. A OMS recomenda que a dosagem de fenproporex, por exemplo, varie entre 20 miligramas e 60 miligramas. O ideal é ficar na faixa do 25 miligramas ao dia. Em algumas receitas foram prescritas dosagens de 100 miligramas/dia! 

Os pacientes chegam ao consultório e o médico ainda pergunta se eles querem um remédio que tire muito o apetite ou um que tire menos, mas tenha uma ação mais prolongada. Francamente, quem deveria analisar o quadro clínico e avaliar se é necessário ou não o uso de medicamentos é o próprio médico! É óbvio que um paciente ávido por perder peso sempre vai querer uma maneira mais fácil, rápida e sem esforço. Não vai recusar a facilidade do remédio nunca…  E quem tem a obrigação de orientá-lo da melhor maneira possível?!?! A princípio, o médico.  No entanto, diante de tanta incompetência e negligência, penso que se depender exclusivamente deles, a saúde vai de mal a pior nesse país (como quase todo o resto…).

Estima-se que o consumo de inibidores de apetite no Brasil seja superior a 20 toneladas por ano. Oras, representam lucro garantido!!! No bom português, “junte a fome com a vontade de comer” (que ironia…) e veja que bom negócio: os remédios para emagrecer permitem efeitos mais rápidos para os pacientes, uma venda maior nas farmácias e o aumento da clientela dos médicos. A combinação ideal. Sem contar a facilidade de se conseguir receitas e as drogas. Se você digitar no Google “inibidores de apetite” vai encontrar uma ampla lista de sites vendendo o medicamento indiscriminadamente.

Agora, digam-me, como é que nós, (futuros) nutricionistas combatemos uma situação dessas? É uma competição desigual, principalmente porque nosso enfoque é prevenção. E prevenção não dá dinheiro à indústria farmacêutica tampouco ajuda na carreira do endocrinologista. Não existem programas de (re)educação alimentar ( dentro das escolas, postos de saúde, etc) no qual todos possam ter acesso. As campanhas do Ministério da Saúde na televisão não esclarecem nada a respeito (e nem ousariam!). E o maior problema: a falta de conscientização.  E estou falando da porção mais rica da população, aquela que tem acesso a informação, condições de custear os medicamentos e tudo mais. A massa pensante, formadora de opinião…paradoxo, totalmente alheia.

Nada me deixa mais aborrecida do que ver um indivíduo saudável tomando remédio para emagrecer porque quer perder uns “quilinhos”, quando um reeducação alimentar já era mais que suficiente para resolver a questão. É a Lei do Menor Esforço predominando. Orientar, educar, implantar hábitos saudáveis nos outros não é tarefa fácil em uma sociedade consumista e com um McDonald’s & Afins em cada esquina. Ou com as propagandas mais que perfeitas e criativas da Coca-Cola. Ainda assim, estamos aqui para isso.

Mas por favor, ao menos fique mais atento, por sua própria saúde. Não deixe que médicos tentem entupi-lo com inibidores sem antes saber exatamente qual é o caso em questão. Exija explicações, demonstre que é informado e que definitivamente não se encontra tão alienado quanto eles imaginam.


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