Bandeira branca, amor

A propaganda é tão boa que nem lembro o produto: a esposa, toda sexy numa camisola transparente, se aproxima da cama. O marido dá uma olhada, baixa a revista que está lendo e põe a mão na testa, com cara de dor de cabeça. Pobres de nós, mulheres. Lutamos pelo direito ao prazer, enfrentamos nossos fantasmas, derrubamos preconceitos, perdemos a vergonha, descemos os decotes e subimos a barra das saias. Fomos buscar informações sobre como conquistar o sexo oposto nas revistas femininas e no divã do analista. Aprendemos a expressar nossos desejos e a fazer caras e bocas. O resultado é que os homens não agüentam mais fazer a pose de garanhão e agora usam as mesmas armas de nossas avós para evitar uma sessãozinha de sexo.

Para mim chega: quero mudar para Bagdá. Os mísseis do Bush devem causar menos estrago do que a rejeição de um homem. Acabo de ler que, nos últimos 12 meses, a exportação brasileira de lingerie sexy para os países islâmicos cresceu 160%! E nós feministas ocidentais, emancipadas e independentes, ainda temos pena das mulheres que usam burca…

Agora a gente sabe que segredos elas guardam sob as vestes escuras. Assim que ficam mocinhas, cobrem os longos cabelos com grandes lenços e passam a aprender com as mais velhas as artes da sedução. Tudo para agradar ao único homem que conhecerão ao longo de toda sua existência. E, apesar de toda nossa liberdade, vamos ser sinceras: quem é que precisa de mais de um homem na vida?

As aulas de alcova começam pela cozinha, de onde nós mesmas fugimos, esquecendo que o coração masculino se conquista pelo estômago. A culinária árabe não dispensa ingredientes  saborosos (e afrodisíacos) como mel, canela e nozes. Seus perfumes e incensos têm aromas fortes como o sândalo. A música do Islã é suave, envolvente e ritmada, assim como a dança que faz tintilar os guizos e pulseiras com que a mulher se enfeita. Agora, imagine como o homem fica ansioso pelo momento de tocá-la enquanto assiste a mulher tirar, peça por peça, aquela montanha de roupas que escondem…lingerie sexy!

Por Alá! Como as muçulmanas são sábias. Não apelam vulgarmente aos dotes físicos que a natureza lhes deu. Preparam o clima para o momento mágico da intimidade entre homem e mulher usando os cinco sentidos que despertam o desejo: paladar, olfato, audição, visão e tato.

Não é à toa que as muçulmanas encabeçam a lista de mulheres mais presenteadas com jóias de ouro e pedrarias por seus satisfeitos maridos. E olha que elas nem precisam se privar das delícias da boa cozinha. Os homens do Islã preferem as rechonchudas. É só lembrar que ter barriguinha saliente é fundamental na hora da dança do ventre.

E a gente aqui se matando de fazer regime, malhar na academia, pôr silicone e botox, na tentativa de se manter bela e jovem, bonita e atraente. De repente descobre que, na praia badalada de uma ilha no Rio de Janeiro, um batalhão de mulheres saradas desfila seus biquínis minúsculos diante de um público masculino que não está nem aí. Mas precisa ver o entusiasmo deles quando atravessam a floresta para chegar ao outro lado da ilha, onde existe uma colônia religiosa que segue rigorosos princípios morais. As mulheres só podem entrar no mar totalmente vestidas. Não é que eles se escondem nas árvores para vê-las sair da água com a roupa molhada colada ao corpo? Isso é que é sensualidade!

Enquanto elas escondem, nós escancaramos. Nesse festival de peitos e bundas (Carnaval que o diga…) disponíveis nas ruas, na TV, revistas e internet, o corpo feminino jão não tem mais segredo a ser revelado.

A principal lei da economia é a da oferta e da procura:quando há oferta demais, a procura cai. E o preço vai junto. Nada mais verdadeiro. Quanto mais difícil, mais saborosa a conquista. Será que quem trabalha numa loja de chocolates tem vontade de comer bombom?

É claro que eu não abriria mão de uma única vitória feminista. Mas, diante da falta de desejo que assola os homens ocidentais, não está na hora de deixarmos de ser tão oferecidas?

Pois então, amigas, relaxem…Homem é caçador, odeia ser caçado. Sigam seus instintos de fêmea a ser conquistada. Se confundimos tudo e lutamos com armas erradas, ainda há tempo de ganhar essa guerra. Sensualidade nada tem a ver com exposição. Sedução não é vulgaridade. Intimidade é um negócio a dois. Abaixo o fast food! De mesa e de cama.

Crônica de Lúcia Sauerbronn 

P.S: o Carnaval  está aí, e nos próximos dias, 8 de março. Acho que este texto veio em boa hora. Um bom momento,para nós como mulheres, repensarmos a respeito do nosso valor.

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8 Responses to “Bandeira branca, amor”


  1. 1 Eduardo Macan fevereiro 17, 2007 às 10:25 am

    Noooossa! Essa Lucia Sauerbronn ganha um pulizer se depender de mim 🙂

  2. 3 Alerio fevereiro 20, 2007 às 4:04 pm

    Ei filha jah q mudou de casa muda o link la no grupo! Bjs!

  3. 4 Andressa fevereiro 22, 2007 às 5:36 pm

    Eduardo: rs, e se vc soubesse de onde tirei essa crônica…;) Foi uma das melhores que já li…

    Aléo: link já está devidamente atualizado! 🙂

  4. 6 LARISSA janeiro 12, 2008 às 3:24 am

    AE…ASSA LÚCIA É MESMO SHOW DE BOLA COM AS PALAVRAS….

    PARABÊNS LUCIA PELO SEU TRABALHO..

    E PODE TER CERTEZA QUE….JÁ GANHAMOS ESSA GUERRA!!!!

    ABRAÇO…..AMEI A CRÔNICA…COMO AMO TODAS!!!!

  5. 7 LARISSA janeiro 12, 2008 às 3:26 am

    HEHEHEH…DESCULPA PELO ERRINHU….”ASSA LÚCIA””….
    É O DIA A DIA DO TRABALHO Q FAZ ISSO,,,,KKKK

    MAIS UMA VEZ PARABENS!!!!!

  6. 8 Fátima março 17, 2008 às 7:32 pm

    Olá Lucia!

    Vc. é realmente sensacional. Estava eu na casa da minha mãe, domingo de manhã, um dia chuvoso, triste como a minha alma, folheei uma revista e lá estava uma de suas crônicas: “A Cadela e o Papagaio”.
    Estou vivenciando uma situação tão parecida, sou casada e meu casamento está em ruínas. Conheci alguém através de uma sala de bate papo e me apaixonei loucamente. Nunca o vi, jamais poderia imaginar que poderia me interessar por um homem tão diferente, ele é Chinês, morou no Brasil e está vivendo atualmente nos EUA. Nossa história é tão linda nos amamos sem nunca termos visto. Fazemos amor por e morro de desejos por ele.
    Mas sei que como na sua crônica tudo acabará se trouxermos nosso amor pra realidade.


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