Deep Purple fica para o próximo post. Rs. Acho importante destacar esse assunto por aqui hoje. Parem um momento para ler, acredito que vale a pena.
Comer é sobretudo, um sinônimo de afeto. Observe bem as mais diversas comemorações entre amigos, familiares entre outros, e esta verdade estará explícita. É ao redor de uma mesa, e de preferência bem farta, onde compartilhamos os melhores sentimentos e sensações ao lado das pessoas que amamos e consideramos fundamentais em nossa vida. Consegue imaginar uma festa sem absolutamente nada para beliscar? Óbvio que não. De um simples chá da tarde ao jantar mais elegante, a comida sem dúvida, é a grande estrela. Ainda, que ninguém se dê conta disso. É ela quem reúne. Comer junto, desde tempos remotos, significa estabelecer relações sociais e até garantia de sobrevivência. Em alguns momentos, representava inserção na sociedade, status social. Ou exclusão, por que não? O banquete do rei medieval era para poucos, e atualmente as coisas não se diferem muito. Quem nunca soltou uma dessas: ”fulano, ontem fui a um coquetel chiquérrimo…” Duvido muito se você nunca disse algo do gênero antes com certo orgulho.
Pois bem. Diante desse panorama é possível que você tenha uma ligeira noção da importância da alimentação, em outro aspecto, que ultrapassa o biológico e alcança a esfera social e as relações que ela estabelece. Partindo desse pressuposto, imagine um indivíduo com restrições alimentares. A título de exemplo, pensemos em alguém com doença celíaca. Ou seja, alguém com intolerância a glúten e que não pode ingerir alimentos que contenham sequer traços dessa substância. Isso significa que trigo é proibido na dieta. Assim como o centeio, a cevada e a aveia. Bem, o glúten está presente só na grande maioria dos alimentos, seja no pãozinho nosso de cada dia ou até na “inocente” salsicha, e em grande parte dos alimentos industrializados. Agora imagine situações do cotidiano, como uma festa de aniversário. Bolo? Glúten. Coxinha? Glúten. Kibe? Glúten. Empadinha? Glúten. Cachorro-quente? Glúten. Docinhos diversos? Você não sabe, mas pode conter traços de glúten por causa da manipulação. Quem pode garantir um alimento seguro, se não foi você mesmo quem preparou? Perceba a dificuldade de se alimentar, e antes de tudo, a dificuldade de se inserir naquele contexto social. Isso, ao longo do tempo, gera exclusão, a ponto do indivíduo não sair e privar-se de certos ambientes em virtude de suas restrições alimentares. Não pense que casos assim são raros, porque 1 em cada 300 nascidos vivos apresentam doença celíaca, de acordo com as estatísticas.
Entretanto, não vamos tão longe da sua realidade. Pense em um diabético. Apesar de inúmeras opções de alimentos diet no mercado, existe o quesito família a ser observado. Se a esposa descobre que está com diabetes e em função disso o açúcar do cafezinho deverá ser eliminado, o marido pode não gostar da idéia porque afinal, é um hábito de anos tomarem café adoçado. E ele detesta adoçante. Ou ter o trabalho de adoçar em sua xícara, quem sabe. E as coisas podem piorar se a sobremesa do almoço for substituída por uma fruta apenas. A mudança na dieta afeta a estrutura familiar como um todo, uma vez que muda uma rotina constituída por hábitos enraizados. Tal evidência também se aplica em casos de hipertensão, obesidade, etc.
Infelizmente, restrição alimentar muitas vezes vem associada à exclusão do convívio social, ainda que de forma bastante sutil. Se você está em uma luta para diminuir seu colesterol a qualquer custo e controlar sua pressão arterial, fazendo reeducação alimentar e seu amigo te convida para um churrasco na casa dele, com picanha suculenta e cervejinha… Apesar da tentação, você resiste bravamente e nem ousa em dar uma passadinha para dar um alô. Mas vai se sentir mal não pela picanha em si, mas também por sua ausência. É claro que este exemplo é algo bem simples, mas nos dá a dimensão de até onde o comer, ou o não poder comer, nos afeta. Seja no âmbito fisiológico, psicológico ou social.
Sem dúvida, um dos maiores desafios do profissional de nutrição é encontrar maneiras de garantir uma alimentação saudável (e que por vezes incluem restrições), mas com o devido cuidado de não tornar o paciente um ser excluído, paranóico e insatisfeito. Além de permitir que ele tenha opções e orientá-lo a fazer escolhas inteligentes. Porque nem sempre há uma
Mundo Verde por perto, por exemplo. Contudo, não trabalhamos sozinhos. O mercado precisa atender a demanda e necessidades dos pacientes.
Por que não um Buffet que ofereça mesas especiais para diabéticos, hipertensos, por exemplo? Por que não algumas opções mais saudáveis, muito além do suco natural, no cardápio de bares e restaurantes? Afinal, não conheço restaurante especializado em comida saudável que funcione depois das 22:00 em uma sexta-feira…
O mercado oferece mais opções, sem dúvida. Basta uma observação mais atenta nas prateleiras dos supermercados. Mas há situações nas quais você não pode ir até ele e está com uma fome absurda. Ou simplesmente não tem como preparar algo que você possa comer, porque está na rua, no trabalho ou em um barzinho, por exemplo.
É nessa hora que entram em ação empresários com visão e criatividade. Investir em estabelecimentos que ofereçam serviços diferenciados na alimentação, é uma alternativa que só tende a crescer e conquistar mais e mais um público consumidor que está carente em relação a opções de escolha. E não deixa de ser um negócio no qual todos ganham: seja em relação à lucratividade, saúde e a não privar-se do convívio social.
A nutrição agradece!

Oi miguxa…… Amei, excelente perspectiva do âmbito nutricional. Nós, como futuras nutricionistas, temos que nos ater as dificuldades sociais de nossos clientes.
Inspirou ein?
B-jocas…
dessa… vou confessar que naum li tudo… mas adorei o primeiro paragrafo… nossos almoços que o digam… hauhauhaua
love u
ehauhauahau…só você mesmo Rachel. Um dia desses vê se lê tudo tá?
Eu juro que ando melhorando a minha nutrição, como diz o Du, sou “Selecionadora”, mas, o job extressante, me fez em um almoço, abusar, ir na sobremesa caprichadissímaaaaaa Melão, Morango ao “Machmellow”…
Olha entrei por uma coisa e postei outra…rs..!!!
Bom, agora sim, é o Protesto II, em que usei o seu post, um desses abaixo…rs..!!!
ehauhaua, Jana Jana…cuidado com “machmellow”
E que tal, o texto dava para ir para a Boa Forma? ehauahuaauaua
Ótimo o texto.
Minha irmã celíaca indiretamente condenou nossa pequena comunidade familiar a uma abstinência do prato número um de brasília (a pizza) e os diversos recheios dos lanches não recheiam mais nada.
Mas além de não existir muitas opções no dia-a-dia, nas ruas, restaurantes e casas de amigos ela ainda tem que assistir o prazer dos outros ao comerem coisas tão simples quanto um pão-com-manteiga.