Palavras, por muitas vezes, são insuficientes. Limitadas. Elas, por mais lindas e doces que sejam, ou por mais que soem cruéis, tristes, ainda sim, não conseguem exprimir a essência daquilo que se passa em nosso interior.
Diante da imensidão que há dentro de cada um, e dos nossos sentimentos mais puros e verdadeiros, palavras não bastam. Palavras? Elas se calam. Diante da melancolia que surpreende nosso coração, da angústia que nos oprime, da tristeza insistente que pode nublar até mesmo o olhar mais brilhante, palavras? Não. Elas se calam. E nos deixam a sós com o silêncio, com o toque, com o olhar, com o abraço.
Palavras por si só, não transmitem tudo o que permeia nossa alma. Elas não explicam as sensações que podem nos arrebatar. Ou nos arrebentar.
Palavras…eu sempre gostei delas, sabe? Se não me engano, desde que aprendi a escrever as primeiras. Sempre acreditei que com elas, explicaria tudo o que eu desejasse. Tudo o que eu sentisse. Que através delas, eu teria explicações para todas as coisas. Respostas para todos os questionamentos. Justificativas para todos meus atos. Razões para meus pontos de vista. Interpretações para todos os mistérios. Meu escudo. Minha válvula de escape. Minha fonte do saber.
Quem diria, agora elas se calaram. Deixando-me a sós com o meu silêncio. E ainda que eu faça um esforço absurdo na tentativa de escrever algo, me parece inútil. Elas me parecem medíocres demais para quem lê…E ridículas o bastante diante de tudo que minha alma anseia transmitir.
Dizem que há momentos na vida em que apenas o silêncio basta. Eu não concordava muito. Porém, por ironia do destino ou não, engulo as palavras: meu momento chegou. Há riqueza demais, complexidade demais aqui dentro. Não quero estragar coisas tão belas que estão brotando, com a pobreza das palavras expressas em versos com rimas, métricas e afins. E nem tentar escrever as melancolias e sensações que, sinceramente, são inexplicáveis. As palavras não me bastam agora…
E é por essas e outras, que ao menos hoje, tudo o que eu podia oferecer aos outros, era silêncio. E tudo o que eu gostaria dos outros, era um olhar compreensivo capaz de perceber o significado dele. E quem sabe, entendesse a dimensão do que se passa aqui dentro. Eu não queria mais nada.
E se pudesse, um colo e um cafuné seria de grande ajuda… porque manter a pose de força, independência e confiança como todo mundo, o tempo todo, cansa.




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